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A Polônia tinha a mesma armadilha. Entre 2005 e 2008, bancos poloneses venderam hipotecas indexadas ao franco suíço a famílias que recebiam em zloty (a moeda polonesa). Em 2015, centenas de milhares desses contratos seguiam ativos.
O governo polonês não converteu. Em agosto de 2015, o Sejm (a câmara baixa do Parlamento polonês) aprovou um projeto de conversão, mas o texto não virou lei antes da troca de legislatura. Em 2016, o presidente Andrzej Duda apresentou outra proposta, que também ficou no papel.
O SALDO QUE CRESCEU SOZINHO
Com o salto de janeiro de 2015, o saldo devedor do polonês, medido em zloty, subiu da noite para o dia, sem que ele pegasse nada emprestado. A parcela acompanhou: convertida pela cotação do mês, ela engordou enquanto o salário ficava parado.
O mutuário polonês ainda tinha um problema de saída. Vender o imóvel não quitava a dívida, porque o saldo em zloty tinha passado do preço de mercado da casa.
A SAÍDA PELOS TRIBUNAIS
Sem lei, o mutuário foi à Justiça. Em 3 de outubro de 2019, o Tribunal de Justiça da União Europeia julgou o caso Dziubak (processo C-260/18) e permitiu que juízes poloneses anulassem contratos com cláusula de câmbio abusiva, em vez de reescrevê-los.
A decisão abriu uma onda de processos. Em dezembro de 2020, Jacek Jastrzębski, presidente da KNF (a autoridade de supervisão financeira da Polônia), propôs acordos em que o banco converte o contrato para zloty como se tivesse nascido nele, com juro polonês desde o início. Parte dos bancos aderiu; parte dos clientes preferiu seguir no tribunal.
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“O dinheiro não se administra sozinho.” (Walter Bagehot, Lombard Street, 1873)
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Bagehot falava do Banco da Inglaterra. Budapeste administrou o câmbio por lei antes do susto; Varsóvia deixou a conta para o juiz, anos mais tarde.
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Em Budapeste, a dívida congelou no câmbio de 2014; em Varsóvia, seguiu o franco depois do salto.
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A OPORTUNIDADE PARA O BRASILEIRO
O caso mostra que o risco de câmbio de uma dívida fica com quem tem renda na outra moeda, até que uma lei diga o contrário. Para o brasileiro, a lição vale para financiamento de imóvel no exterior e para empréstimo de empresa em dólar: a parcela barata em moeda forte embute um seguro que ninguém cobra na assinatura.
A vantagem está em medir antes. Quem calcula a parcela com o real 25% mais fraco, antes de assinar, sabe se aguenta o pior cenário sem depender de governo nem de tribunal.
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