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Um índice de preço não conta a história inteira, porque ele ignora dividendos, ignora a moeda em que a pessoa gasta e ignora quem foi comprando ao longo do caminho em vez de entrar tudo de uma vez. As três omissões mudam bastante o tamanho da conta.
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O Nikkei 225 é um índice de preço, não de retorno total. Empresas japonesas pagaram dividendos durante todas essas décadas, e quem reinvestiu esses pagamentos empatou anos antes do que a linha do gráfico sugere, ainda que muito depois do que qualquer plano razoável previa.
Existe também o efeito da moeda. Um investidor estrangeiro carregava, junto com as ações, uma posição em iene, e movimentos grandes do câmbio contra o dólar ou contra o real fizeram o resultado dele descolar bastante do índice em pontos.
Compare o que a leitura crua sugere e o que o investidor de fato enfrentou:
| Leitura pelo índice de preço | 34 anos sem retorno nenhum |
| Leitura com dividendos reinvestidos | empate bem mais cedo, ainda que em prazo longo |
| Leitura de quem entrou tudo no topo | prazo integral, sem atenuante |
| Leitura de quem aportou todo mês | preço médio muito abaixo do topo |
O RISCO QUE NENHUM GRÁFICO DE TRÊS ANOS MOSTRA
Concentração em um mercado só não é uma escolha de rentabilidade, é uma escolha de exposição a um destino. Quem coloca a maior parte do patrimônio num único país está apostando que a próxima geração daquele lugar será tão produtiva quanto a anterior.
A aposta costuma parecer segura justamente onde o histórico recente é melhor. Em 1989, o Japão era o caso de sucesso mais estudado do planeta, com superávits comerciais gigantescos, empresas comprando ativos no mundo inteiro e manuais de gestão exportados para todos os continentes.
Nenhum investidor japonês daquela época se via como alguém correndo risco de país. Ele se via comprando as melhores empresas do mercado mais vencedor do mundo, o que é exatamente o que se pensa hoje em qualquer mercado que acumulou uma década de alta.
O PREÇO PAGO IMPORTA MAIS QUE A EMPRESA
O caso japonês separa duas coisas que costumam andar confundidas. A qualidade das empresas de um índice diz respeito ao lucro que elas vão gerar. O múltiplo pago por elas diz respeito a quanto desse lucro futuro já foi antecipado no preço de hoje.
No fim de 1989, o mercado japonês negociava a múltiplos de lucro muito acima do que qualquer mercado grande sustentava na época. O preço embutia décadas de crescimento acelerado, e bastou o crescimento vir apenas razoável para o preço ficar sem lastro.
O mesmo mecanismo funciona ao contrário. Comprar um mercado deprimido não exige que o país volte a brilhar, exige apenas que ele seja menos ruim do que o preço supunha, e é por essa razão que carteiras espalhadas por regiões capturam recuperações que ninguém consegue antecipar.
A prova apareceu no próprio Japão. Quem comprou o índice em março de 2009, perto dos 7.055 pontos, viu o valor da posição multiplicar várias vezes nos quinze anos seguintes, no mesmo país e com boa parte das mesmas empresas que decepcionaram a geração anterior.
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